Palavra versus Silêncio | Foste a janela aberta

Palavra versus Silêncio, um poema a cada mês.
Neste mês em que celebramos com especial atenção Nossa Senhora, desafiámos o Padre Rui Ruivo da diocese de Leiria-Fátima a escrever um poema que a retrata.
Um poema, que foi desafiador segundo o autor, mas que nos reporta para a história da salvação onde encontramos a Mulher de todas as horas de Jesus, Maria de Nazaré, Sua Mãe e nossa Mãe.

“Foste a janela aberta
A cortina a esvoaçar pelo sopro
Por onde entrou o alto fogo
A amada onde habitou o desejo
De quem antes te sonhou e pensou
De cabelo livre e leve
agitado pelo vento
de um amor feito pedido
Noivado confirmado no teu sim
Foste os olhos do Amor
em crescendo
De coração apertado
no desencontro feito pó
Do caminho manchado
Foste a dor calada do tormento
com o duro peso da ingratidão
Foste lágrima derramada
No bordado de cruz
E permaneceste
perante a dor desventrada
Carregando nos braços a fonte
E bebendo da água em aberto
Desse lado direito que te inundou
E depois
já inundada e serena
Reunida na margem segura da esperança
Entre tantos sinais que te mostram
Como aquela que gera tanta vida
As tuas mãos são ventres de luz
Grávidos do Amor que nos salva
Os teus olhos abrigam-nos
nesse manto de retalhos
Feito dos corações aflitos
E outros tantos agradecidos
Feito dos corações
que te olham
E desejam um dia poderem tocar-te
E no calor do teu olhar
No lugar onde a Luz se gerou
Desejam nascer de novo
A partir do teu ventre
Como teus filhos
Eis-nos aqui Mãe!”

na voz do autor, ouvimos este deslumbrante poema!

Ir. Bernardete, asm
Foto: Rui Silva
Background music: Zakhar Valaha from Pixabay

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