{"id":2317,"date":"2022-01-17T09:35:35","date_gmt":"2022-01-17T09:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/asmaria.org\/?p=2317"},"modified":"2025-06-04T11:23:53","modified_gmt":"2025-06-04T11:23:53","slug":"a-vida-consagrada-ainda-seduz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmaria.org\/it\/a-vida-consagrada-ainda-seduz\/","title":{"rendered":"La vita consacrata \u00e8 ancora seducente?"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;Section&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;0px|0px|0px|0px|false|false&#8221; custom_padding=&#8221;0px|0px|0px|0px|false|false&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; width=&#8221;100%&#8221; max_width=&#8221;100%&#8221; module_alignment=&#8221;center&#8221; custom_margin=&#8221;0px|0px|0px|0px|false|false&#8221; custom_padding=&#8221;0px|0px|0px|0px|false|false&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.2&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_code raw_content_tablet=&#8221;<\/p>\n<section class=%22section-color%22><\/section>\n<style>\n.section-color {\n  background-color:rgba(172, 147, 93, 0.5);\n  height: 50vh;\n  width: 100%;\n}\n<\/style>\n<div class=%22titulo-art2%22>\n<p05>\nA vida consagrada ainda seduz?<\/p05><\/br><\/br><br \/>\n<img src=%22https:\/\/asmaria.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/1516616479-7735-dsc_0120-scaled-1.jpg%22><\/p>\n<div class=%22discla2%22>\n<div class=%22fotopessoa%22>\n  <img class=%22fotop%22 src=%22https:\/\/asmaria.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ir.-Marta-Mendes.jpg%22><\/div>\n<div class=%22texto-pessoa%22>\n  <p201>Marta Mendes, asm<\/p201><\/br>\n<p002>\u00abMiss\u00e3o Espiritana em Portugal: Mem\u00f3ria e Promessa \u2013 150 anos\u00bb<\/p002><\/div>\n<\/div>\n<div class=%22contenttext2%22>\n  <p09>\n  <\/br><\/br><br \/>\n<strong>A vida consagrada ainda seduz?<\/strong> <\/br><br \/>\nEsta pergunta poderia ser a alavanca para a g\u00e9nese de um chamariz vocacional. Ouvia h\u00e1 pouco tempo de um ateu que \u201cDeus, Deus \u00e9 uma pequena coisa\u201d. N\u00e3o chamaria \u2018coisa\u2019 ao Deus a quem me entreguei, n\u00e3o obstante, n\u00e3o me \u00e9 dif\u00edcil pensar em Deus como pequeno, muito pequeno, mais, como o Baix\u00edssimo, o \u201cAlt\u00edssimo que ousa ser o Baix\u00edssimo para se poder inclinar assim, t\u00e3o profundamente\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape1%22 id=%22roda1%22>%911%93<\/a>, porque \u00e9 pr\u00f3prio do Amor baixar-se. Por isso, creio que esta pergunta \u201ca vida consagrada ainda seduz?\u201d, muito para al\u00e9m de encontrar o seu lugar num plano pastoral atrativo, encontra a sua resposta naqueles e naquelas que decidem \u201cdeixar o caminho para entrar no Caminho, deixar o seu modo para entrar naquilo que n\u00e3o tem modo, que \u00e9 Deus\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape2%22 id=%22roda2%22>%912%93<\/a>. <\/br><br \/>\nA vida de um consagrado h\u00e1-de seduzir se este se dispuser a sair de si, se decidir colocar-se em atitude de <i>\u00eaxodo<\/i>, a uma sa\u00eddasem <i>retorno<\/i> equivalente ao <i>esvaziamento<\/i> de si: \u201cAlgu\u00e9m que estivesse inteiramente cheio, cuja felicidade e realiza\u00e7\u00e3o fosse completa, n\u00e3o teria espa\u00e7o para Deus. O santo n\u00e3o est\u00e1 cheio de si mesmo\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape3%22 id=%22roda3%22>%913%93<\/a>; o santo est\u00e1 perto de Deus e estar perto de Deus \u00e9 experimentar a <i>kenose<\/i>. Somente vazios de si os consagrados podem ser \u201crelatos de Deus\u201d, retalhos de luz onde Deus pode espreitar o homem e onde o homem pode saborear a eternidade. \u201cTal foi o sonho do Criador: poder contemplar-se na criatura e nela ver resplandecer todas as suas perfei\u00e7\u00f5es, toda a sua beleza\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape4%22 id=%22roda4%22>%914%93<\/a>. N\u00e3o ser\u00e1 este o sonho do Criador diante daqueles que Ele mesmo <i>separa para Si?<\/i><\/br><br \/>\nHoje, os consagrados t\u00eam a tarefa de ser testemunhas da presen\u00e7a transfiguradora de Deus num mundo cada vez mais desnorteado e confuso, um mundo em que os matizes t\u00eam substitu\u00eddo as cores bem definidas e caracterizadoras. Somos solicitados para muito trabalho ao servi\u00e7o do Reino mas, n\u00e3o questionando a indubit\u00e1vel generosidade, capaz de um testemunho e de uma entrega totais, a vida consagrada conhece presentemente, a amea\u00e7a da mediocridade, do aburguesamento e da mentalidade consumista <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape5%22 id=%22roda5%22>%915%93<\/a>.<\/br><br \/>\nLembro-me que, no meu retiro de votos perp\u00e9tuos, me disseram que, por vezes, \u201candamos t\u00e3o preocupados em anunciar o Reino que corremos o risco de nos esquecer do Rei\u201d. Numa \u00e9poca em que se perfumam v\u00e1rios deuses, os consagrados s\u00e3o chamados n\u00e3o a ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de ofuscar a verdade, n\u00e3o a deixar-se arrastar pela cultura do relativismo, do fragmento, n\u00e3o a deixar-se secularizar na sua mente e no seu cora\u00e7\u00e3o, mas antes a proclamar inequivocamente a verdade frente \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o dos falsos \u00eddolos e a \u201cserem far\u00f3is, a serem tochas que acompanham a viagem de homens e mulheres na noite escura do tempo, a serem sentinelas da manh\u00e3 anunciando o nascer do sol\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape6%22 id=%22roda6%22>%916%93<\/a>. Ao estilo do mundo inventar\u00edamos t\u00e9cnicas de markting, preocupar-nos-\u00edamos em que o maior n\u00famero de pessoas aderisse \u00e0 nossa publicidade, ocupar-nos-\u00edamos em ter sucesso, poder e visibilidade. Cristo n\u00e3o teve sucesso, n\u00e3o teve poder e a sua visibilidade nasce numa manjedoura.<\/br><br \/>\nN\u00e3o raras vezes nos esquecemos que \u201cpregamos Cristo crucificado\u201d (1 Cor 2, 23), a prega\u00e7\u00e3o do peito aberto, dos bra\u00e7os estendidos que, em gesto de abra\u00e7o, cura e resgata cada homem.<br \/>\n<\/br><br \/>\nEvoco aqui duas figuras: o samaritano e a samaritana. O grande risco da vida do consagrado reside no facto de passarmos rapidamente da samaritana para o samaritano. Somos mais ativos que contemplativos. \u00c9 o encontro com Cristo o que leva a samaritana a deixar o c\u00e2ntaro, motivo pelo qual, embora ambas as atitudes \u2013 a\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o \u2013 se alternem, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a experi\u00eancia da samaritana \u2013 contempla\u00e7\u00e3o \u2013 para podermos ser o samaritano \u2013 a\u00e7\u00e3o \u2013 que coloca sobre a sua montada o homem ferido que encontra \u00e0 beira do caminho. O amor ao pr\u00f3ximo brota da beleza do encontro com Jesus Cristo, que se transforma em testemunho contagioso, capaz de inquietar o cora\u00e7\u00e3o dos homens, capaz de entusiasmar e suscitar o desejo de tamb\u00e9m outros quererem encontrar Jesus Cristo: \u201cEnt\u00e3o muitos mais acreditaram nele por causa da sua prega\u00e7\u00e3o, e diziam \u00e0 mulher: \u2018J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pelas tuas palavras que acreditamos; n\u00f3s pr\u00f3prios ouvimos e sabemos que Ele \u00e9 verdadeiramente o Salvador do mundo\u2019.\u201d (Jo 4, 41-42).<\/br><br \/>\nParafraseando o te\u00f3logo Karl Ranher: \u201co consagrado de amanh\u00e3 ou ser\u00e1 um m\u00edstico, isto \u00e9, uma pessoa que experimentou algo, ou n\u00e3o ser\u00e1 consagrado\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape7%22 id=%22roda7%22>%917%93<\/a>. Aquele que \u00e9 <i>dedicado exclusivamente a Deus<\/i>, \u201carde de zelo pelo seu Senhor\u201d (Cf. 1 Rs 19, 14), \u00e9 transformado pelo esplendor da sua beleza, porque pertencer ao Senhor significa conservar sempre ardente no cora\u00e7\u00e3o uma chama viva de amor, alimentada por uma f\u00e9 forte que, mesmo desconhecendo, se compromete, pois sabe que o seu Senhor nunca o falsear\u00e1. \u201cSe tiveres o Senhor do Mundo dentro de ti, no teu cora\u00e7\u00e3o \u00e0 prova de fogo, mant\u00e9m-no cercado\u2026 Deus \u00e9 perigoso. Deus \u00e9 um fogo que consome\u2026 Ele come\u00e7a com um pequeno amor, uma pequena chama e, antes que tu te apercebas, agarra-te e ficas aprisionado\u2026 Ele \u00e9 Deus, acostumado ao infinito\u2026 e um sedutor de cora\u00e7\u00f5es.\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape8%22 id=%22roda8%22>%918%93<\/a>. Por isso, \u00e0 pergunta \u201cque fazes aqui, tu que \u00e9s consagrado?\u201d responder\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o daquele que se deixou consagrar \u201cardo de zelo pelo meu Senhor\u201d (Cf. 1Rs 19, 13-14).<\/br><br \/>\n<strong>ORA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\n<\/br>\u201cOrai sem cessar. Em tudo dai gra\u00e7as, porque esta \u00e9 a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.\u201d (1 Tes 5, 17-18). Paulo desvenda o que deve ser o primeiro ato do cora\u00e7\u00e3o de um consagrado, a ora\u00e7\u00e3o. O ap\u00f3stolo n\u00e3o diz para orar bem, diz para orar sem cessar e, neste sentido, o ritmo da vida de ora\u00e7\u00e3o <i>daquele que \u00e9 separado para Deus<\/i>, deve ser dirigido pela fidelidade.  Na ora\u00e7\u00e3o o consagrado \u201cenche o olhar de Cristo e molda a exist\u00eancia ao seu jeito\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape9%22 id=%22roda9%22>%919%93<\/a> e a fidelidade adentra-o no caminho do encontro com o Cora\u00e7\u00e3o ferido de Cristo. O centro da humanidade de Jesus \u00e9 o Seu Cora\u00e7\u00e3o ferido. Conhec\u00ea-lo \u00e9 deixar-se ferir por esse amor que delicadamente nos abra\u00e7a. O amor \u00e9 o caminho do cora\u00e7\u00e3o ferido e s\u00f3 a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de fazer perceber a beleza desse caminho, mesmo no meio de pedras de des\u00e2nimo, cansa\u00e7o, aridez ou distra\u00e7\u00e3o. A fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola do amor feito gesto, a escola da humildade feita verdade, a escola da f\u00e9 feita liberdade. \u00c9 esta vida de ora\u00e7\u00e3o que faz de consagrados aquilo que realmente s\u00e3o: a obla\u00e7\u00e3o do Pai no hoje da salva\u00e7\u00e3o. Rostos alegres no despojamento, livres na obedi\u00eancia e excelentes na esperan\u00e7a, at\u00e9 que, em qualquer lugar onde se encontrem, possam levantar um altar a Deus com o seu pensamento e vontade. Deus est\u00e1 dentro deles e eles sabem-no; Deus est\u00e1 fora deles e eles v\u00eaem-no.<\/br><br \/>\nA ora\u00e7\u00e3o do consagrado \u00e9 o repouso do cora\u00e7\u00e3o no Cora\u00e7\u00e3o manso e humilde, mas \u00e9 tamb\u00e9m a s\u00faplica incessante daquele que deixa tudo pela humanidade. Deixai que use a bela imagem da aben\u00e7oada terra de F\u00e1tima: o Papa Francisco referia-se a F\u00e1tima como \u201cum manto de luz que nos cobre\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape10%22 id=%22roda10%22>%9110%93<\/a>. Vejo aqui um belo retrato do que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o dos consagrados: um manto de luz que cobre as sombras da humanidade, igual \u00e0 beleza daquele recinto, cujas luzes s\u00e3o pequenas velas que, apesar da sua pequenez, iluminam a noite. Com que carinho Deus olha para a ora\u00e7\u00e3o daqueles a quem Ele quer chamar a um caminho de elei\u00e7\u00e3o; qu\u00e3o amada \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o daqueles que se entregam pela Igreja e pela humanidade!<\/br><br \/>\nO Papa Paulo VI ressaltava precisamente a relev\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na vida dos consagrados: \u201cTende, pois, consci\u00eancia da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na nossa vida e aprendei a aplicar-vos generosamente a ela: a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o quotidiana continua a ser sempre, para cada um e para cada uma de v\u00f3s, uma necessidade fundamental e deve ocupar o primeiro lugar nas vossas constitui\u00e7\u00f5es e na vossa vida\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape11%22 id=%22roda11%22>%9111%93<\/a>.<\/br><br \/>\nA este prop\u00f3sito, creio que o grande risco da vida dos consagrados \u00e9 de secundarizar o essencial e \u201cessencializar\u201d o secund\u00e1rio. Sem uma vida de ora\u00e7\u00e3o constante os consagrados correm o risco de serem apenas funcion\u00e1rios de Deus e n\u00e3o aquilo que realmente s\u00e3o: consagrados. Sem ora\u00e7\u00e3o, a pessoa consagrada corre o risco de caminhar sem b\u00fassola nem objetivo, perde a sua identidade e come\u00e7a a \u201cn\u00e3o ser carne nem peixe\u201d. Vive com o cora\u00e7\u00e3o dividido entre Deus e a mundanidade. Esquece o seu primeiro amor<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape12%22 id=%22roda12%22>%9112%93<\/a>.<\/br><br \/>\n\u201cO que \u00e9 feito do teu primeiro amor?\u201d, perguntava Santa Catarina de Sena. Vivemos a nossa consagra\u00e7\u00e3o como enamorados de Deus, ou vivemos ainda presos aos nossos projetos pessoais? Poderemos n\u00f3s falar de Deus antes de encher o olhar d\u2019Ele?<\/br><br \/>\nN\u00e3o basta ser bom sacerdote ou boa religiosa. A atitude do consagrado tem de passar de uma obriga\u00e7\u00e3o moral para uma paix\u00e3o absoluta: \u201cEnamora-te, permanece enamorado e tudo ficar\u00e1 decidido\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape13%22 id=%22roda13%22>%9113%93<\/a>. \u00c9 vital incarnar o pr\u00f3prio Cristo e prender o cora\u00e7\u00e3o ao Seu Cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o admitir alternativas: \u201cSe ofereceste o teu cora\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o procures o de outra pessoa (ou coisa) para o colocar no seu lugar. Deus n\u00e3o quer que tu brinques aos \u2018transplantes de cora\u00e7\u00e3o\u2019.\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape14%22 id=%22roda14%22>%9114%93<\/a>. Quanto mais o trabalho assaltar a vida do consagrado, mais ele tem de a preencher com a ora\u00e7\u00e3o. Rezar \u00e9 o gesto pr\u00f3prio do que se levanta para procurar Aquele que o habita. Rezar \u00e9 viver de cora\u00e7\u00e3o desperto, sem deixar que a rotina, a pregui\u00e7a ou o desencanto do primeiro amor fechem a beleza de ter sido chamado por Deus para <i>dar a vida.<\/i>  <\/br><br \/>\n<strong>ALEGRIA<\/strong><br \/>\n<\/br>A Vida Consagrada \u00e9 formada por muitos rostos concretos, rostos esses que, aos olhos do mundo, n\u00e3o s\u00e3o rostos de her\u00f3is, pois n\u00e3o alcan\u00e7aram coisa alguma, sen\u00e3o a vida em Deus: \u201c\u00c9 que para mim viver \u00e9 Cristo e morrer \u00e9 lucro\u201d (Fil 1, 21). S\u00e3o rostos que se descobrem fracos, fr\u00e1geis e dependentes de Deus e por isso tudo esperam d\u2019Ele. Pobres e por isso cheios de esperan\u00e7a. Se contarmos apenas connosco, com as pr\u00f3prias for\u00e7as, n\u00e3o seremos radicalmente pobres, n\u00e3o poderemos praticar a verdadeira esperan\u00e7a. Aquele que se sabe infinitamente fraco e fr\u00e1gil, que n\u00e3o se apoia de maneira alguma em si mesmo, mas que conta firmemente com Deus e que d\u2019Ele \u2013 e s\u00f3 d\u2019Ele \u2013 espera tudo, esse \u00e9 excelente na esperan\u00e7a e est\u00e1 pronto para sacrificar \u201cos seus Isaacs\u201d porque sabe que \u201cDeus providenciar\u00e1\u201d (Cf. Gen 22, 1-14). Esta \u00e9 a alegria que nasce daquele encontro profundo que muda radical, efetiva e afetivamente, a vida e o ser do consagrado. Esta \u00e9 a alegria que brota do abandono simples e sereno, igual ao das crian\u00e7as que se sabem seguras nos bra\u00e7os do seu pai, e que, em jeito inocente, comprometem o seu cora\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a alegria que canta a candura de algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o necessita de defesas, porque vive da confian\u00e7a: \u201cSeja o que for \/ser\u00e1 bom \/ \u00e9 tudo\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape15%22 id=%22roda15%22>%9115%93<\/a>.<\/br><br \/>\n<strong>OBEDI\u00caNCIA<\/strong><br \/>\n<\/br>Para o mundo o consagrado pode ter perdido a no\u00e7\u00e3o do que significa viver. Para o mundo o consagrado \u00e9 um pobre coitado que abdica do bem mais precioso, a autonomia e a liberdade, ou ent\u00e3o \u00e9 um infeliz que n\u00e3o conheceu o amor correspondido. Em certo sentido, aquele que corajosamente pronunciou uma palavra semelhante \u00e0 pronunciada pela jovem de Nazar\u00e9 \u2013 Fiat \u2013 perdeu-se; n\u00e3o como quem desespera, mas como quem \u00e9 encontrado na Luz imensa que \u00e9 Deus. E f\u00e1-lo no sil\u00eancio, sem que ningu\u00e9m saiba; f\u00e1-lo para ser, escondidamente, gr\u00e3o no meio da ciz\u00e2nia; f\u00e1-lo por amor, sem nada pedir em troca.<\/br><br \/>\nO consagrado n\u00e3o chega a viver para si mesmo. Como Aquele a Quem segue, Jesus Cristo, entrega a sua vida livremente. N\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m que lha tira. \u00c9 ele que a d\u00e1. O consagrado disp\u00f5e de si, da sua vida, e gasta-a pelos outros, aceita cansar-se por rostos que nunca ir\u00e1 conhecer. E n\u00e3o h\u00e1 maior liberdade do que a daquele que, ao jeito de Cristo, se faz obla\u00e7\u00e3o amorosa. \u201cH\u00e1 efetivamente uma grande liberdade numa vida obediente, grande fecundidade num cora\u00e7\u00e3o virgem, grande riqueza em nada possuir\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape16%22 id=%22roda16%22>%9116%93<\/a>.<\/br><br \/>\n\u201cEis que venho \u00f3 Pai para fazer a vossa vontade\u201d (Heb 10, 7). Talvez nada melhor que este refr\u00e3o defina o in\u00edcio de uma bela melodia, na vida de um consagrado. Deixando-se perscrutar e transformar pelo Crucificado, a pessoa que se consagra torna-se ela mesma, lugar de holocausto. A obedi\u00eancia, esc\u00e2ndalo para o mundo, \u00e9 a obla\u00e7\u00e3o da vontade, o primeiro lugar do holocausto na profiss\u00e3o religiosa. Contudo, precisamente por isso, \u00e9 lugar de uma Eucaristia constante, na qual <i>aquele que \u00e9 separado para Deus<\/i>, pode dizer unido a Cristo: \u201ctomai e comei isto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s; tomai e bebei isto \u00e9 o meu Sangue derramado por v\u00f3s\u201d (Cf. Lc 22, 19-20). Cada ato de obedi\u00eancia \u00e9 uma doa\u00e7\u00e3o, uma imola\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma Eucaristia. Aquilo que algu\u00e9m reserva para si, para conservar uma margem de liberdade, abre uma fenda na harmonia que a doa\u00e7\u00e3o traz em si mesma. <\/br><br \/>\n\u201cPara os consagrados, progredir significa rebaixar-se no servi\u00e7o, abaixar-se, fazer-se servo para servir. Esta obedi\u00eancia e docilidade n\u00e3o s\u00e3o uma coisa te\u00f3rica, tamb\u00e9m elas est\u00e3o sob o regime da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo: docilidade e obedi\u00eancia a um fundador, docilidade e obedi\u00eancia a uma regra concreta, docilidade e obedi\u00eancia a um superior, docilidade e obedi\u00eancia \u00e0 Igreja\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape17%22 id=%22roda17%22>%9117%93<\/a>. O documento <i>Perfectae Caritatis<\/i>, do Concilio Vaticano II, diz no n.\u00ba 14, que \u201cos religiosos, sob a mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, sujeitam-se na f\u00e9 aos Superiores, vig\u00e1rios de Deus, e por eles s\u00e3o levados a servir todos os seus irm\u00e3os em Cristo, da mesma maneira que o pr\u00f3prio Cristo\u201d.<\/br><br \/>\nAo contr\u00e1rio do que possa parecer, n\u00e3o h\u00e1 liberdade sen\u00e3o na submiss\u00e3o a Deus, na \u201cobedi\u00eancia da f\u00e9\u201d (Rm 1,5) de que S. Paulo fala. A obedi\u00eancia \u00e9 o caminho que o cora\u00e7\u00e3o percorre e que se estende entre as suas divis\u00f5es at\u00e9 chegar ao gesto s\u00f3lido e inteligente da f\u00e9, mediante o qual nos confiamos livremente a um Deus que nos ama, semelhante ao gesto humilde e imaculado da mulher de Nazar\u00e9. Ela, Maria, vivia inteiramente da e na rela\u00e7\u00e3o com Deus; p\u00f4s-se em posi\u00e7\u00e3o de escuta; cada gesto, cada palavra era guardada no Seu Cora\u00e7\u00e3o. No Seu Cora\u00e7\u00e3o submeteu-se de maneira livre \u00e0 palavra recebida, \u00e0 vontade divina na obedi\u00eancia da f\u00e9. Nela o canto tem o nome da f\u00e9 que canta a miseric\u00f3rdia e termina no amor. <\/br><br \/>\nO equ\u00edvoco da liberdade est\u00e1 em consider\u00e1-la como uma realidade exterior, dependente das circunst\u00e2ncias. Temos \u2013 erradamente \u2013 a impress\u00e3o de que aquilo que nos limita a liberdade s\u00e3o as circunst\u00e2ncias: as contrariedades, as obriga\u00e7\u00f5es, as limita\u00e7\u00f5es. E, quando nos sentimos um pouco abafados pelas circunst\u00e2ncias em que estamos metidos, atribu\u00edmos as culpas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e \u00e0s pessoas que consideramos serem a causa. Sem d\u00favida que existem horas de escurid\u00e3o e sofrimento, n\u00e3o obstante, quanto ressentimento alimentamos contra tudo o que n\u00e3o corre ao nosso modo ou contra aquilo que n\u00e3o entendemos! A verdadeira liberdade n\u00e3o \u00e9 tanto uma conquista nossa (como se promove na propaganda da autonomia), mas um dom de Deus, um fruto do Esp\u00edrito Santo, que recebemos na medida em que aceitamos viver por amor, na depend\u00eancia do nosso Criador. \u00c9 no cora\u00e7\u00e3o que estamos comprimidos, e essa \u00e9 a origem da nossa falta de liberdade <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape18%22 id=%22roda18%22>%9118%93<\/a>. O ato mais elevado e mais fecundo da liberdade humana consiste mais no acolhimento do que no dom\u00ednio. Recordo, a este prop\u00f3sito, a experi\u00eancia de Etty Hillesum, uma judia, que meses antes de morrer nos questiona:<\/br><br \/>\n<i>\u201cAs regi\u00f5es da alma e do esp\u00edrito s\u00e3o t\u00e3o vastas e intermin\u00e1veis que este bocadinho de desconforto f\u00edsico e sofrimento n\u00e3o importam realmente muito, n\u00e3o me sinto despojada da minha liberdade e, na verdade, tamb\u00e9m ningu\u00e9m me pode fazer mal.\u201d<\/i> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape19%22 id=%22roda19%22>%9119%93<\/a> <\/br><br \/>\n<i>\u201c\u2026 fic\u00e1mos marcados pelo sofrimento para a vida inteira. E, ainda assim, a vida, na sua irracional profundidade, \u00e9 t\u00e3o maravilhosamente boa \u2013 tenho de voltar a diz\u00ea-lo\u201d.<\/i> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape20%22 id=%22roda20%22>%9120%93<\/a><\/br><br \/>\nDiz Bento XVI que \u201ca fidelidade no tempo \u00e9 o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape21%22 id=%22roda21%22>%9121%93<\/a>, pr\u00f3prio de quem se deixou encontrar pelo Senhor Jesus e \u00e9 isto que traz uma profunda e comovente alegria de quem se sabe por Ele amparado. Seja noite ou dia, seja dor ou contentamento o toque de Deus manifestar-se-\u00e1 sempre doce e terno. No sil\u00eancio de uma c\u00e2ndida entrega, no sorriso despojado e livre, rompe-se a luz de um dia novo e a esperan\u00e7a inteira capaz de seduzir e atrair, pronunciando sobre cada homem:<\/br><br \/>\n<i>\u201cQue o vosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o resista mais; que a cidadela da vossa alma se renda porque o fogo foi posto em toda a parte\u201d<\/i><br \/>\n(Sta. Catarina de Sena). <\/br><\/p>\n<hr>\n<p><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda1%22 id=%22rodape1%22>%911%93<\/a> Cf. BOBIN, Christian, <i>Um Deus \u00e0 flor da terra<\/i>, ed. Difel, Linda-a-velha, 1992, p. 54.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda2%22 id=%22rodape2%22>%912%93<\/a> JO\u00c3O DA CRUZ, <i>Obras Completas, Subida do Monte Carmelo<\/i>, 4, 5, Ed. Carmelo, Marco de Canaveses, 2005.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda3%22 id=%22rodape3%22>%913%93<\/a> Citado em RADCLIFFE ,T., <i>Ir \u00e0 Igreja, porqu\u00ea?<\/i>, 209.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda4%22 id=%22rodape4%22>%914%93<\/a> ISABEL DA TRINDADE, <i>Obras Completas<\/i>, Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, 1989, p. 96.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda5%22 id=%22rodape5%22>%915%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22https:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2006\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20060522_vita-consacrata.html%22>Cf. PAPA BENTO XVI, <i>Discurso aos superiores e \u00e0s superioras gerais dos institutos de vida consagrada e das sociedades de vida apost\u00f3lica<\/i><\/a> acedido a  12\/10\/17, 12:22.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda6%22 id=%22rodape6%22>%916%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_constitutions\/documents\/papa-francesco_costituzione-ap_20160629_vultum-dei-quaerere.html%22>Cf. PAPA FRANCISCO, <i>Vultum Dei Quaerere<\/i>, n. \u00ba 6<\/a>  acedido a 12\/10\/2017, 12:30.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda7%22 id=%22rodape7%22>%917%93<\/a> KARL RAHNER, <i>Christian Living Formerly and Today<\/i>, Theological Investigations, vol. 7, translated by David Bourke (New York: Herder and Herder, 1971), p. 15.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda8%22 id=%22rodape8%22>%918%93<\/a> BALTHASAR, H. U. V., <i>O cora\u00e7\u00e3o do mundo<\/i>, cit. in GALLAGHER, M., <i>A surpreendente novidade de Cristo<\/i>, A.O., Braga, 2012, 76.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda9%22 id=%22rodape9%22>%919%93<\/a> GOMES, P. V., \u201cDo ros\u00e1rio ora\u00e7\u00e3o cordial\u201d, in <i>O meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o teu ref\u00fagio e o caminho que te conduzir\u00e1 at\u00e9 Deus, Itiner\u00e1rio Tem\u00e1tico do Centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima<\/i>, 7\u00ba Ciclo, Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, 2016, p. 133.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda10%22 id=%22rodape10%22>%9110%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2017\/documents\/papa-francesco_20170513_omelia-pellegrinaggio-fatima.html%22>PAPA FRANCISCO, homilia da Santa Missa com o rito da Canoniza\u00e7\u00e3o dos Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto<\/a>  acedido a 27\/11\/2017, 10:05.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda11%22 id=%22rodape11%22>%9111%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_p-vi_exh_19710629_evangelica-testificatio.html%22>PAPA PAULO VI, <i>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evagelica Testeficatio<\/i>, 45<\/a> acedido a 27\/11\/2017, 10:15.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda12%22 id=%22rodape12%22>%9112%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/april\/documents\/papa-francesco_20170429_egitto-clero.html%22>PAPA FRANCISCO, <i>Encontro de ora\u00e7\u00e3o com o clero, religiosos e seminaristas<\/i><\/a> acedido a 12\/10\/2017, 14:36.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda13%22 id=%22rodape13%22>%9113%93<\/a> ARRUPE P., <i>Rezar com o Padre Arrupe<\/i>, Ed. A.O., Braga, 2007, p. 117.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda14%22 id=%22rodape14%22>%9114%93<\/a> VAN THUAN, F. X. N., <i>O Caminho da Esperan\u00e7a<\/i>, Paulinas, Prior Velho, 2007, 43.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda15%22 id=%22rodape15%22>%9115%93<\/a> FARIA, D., Poesia, Ass\u00edrio e Alvim, Porto, 2012, p. 442.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda16%22 id=%22rodape16%22>%9116%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/april\/documents\/papa-francesco_20150411_raduno-formatori-consacrati.html%22>PAPA FRANCISCO, <i>Discurso aos formadores de vida consagrada<\/i><\/a>  acedido a 13\/10\/2017, 22:30.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda17%22 id=%22rodape17%22>%9117%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2015\/documents\/papa-francesco_20150202_omelia-vita-consacrata.html%22>PAPA FRANCISCO, <i>Homilia da Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor<\/i><\/a> acedido a 27\/11\/2017, 10:10.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda18%22 id=%22rodape18%22>%9118%93<\/a> JACQUES PHILIPPE, <i>A liberdade interior<\/i>, paulus, lisboa, 2014,p. 17.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda19%22 id=%22rodape19%22>%9119%93<\/a> HILLESUM, E., <i>Cartas<\/i>, Ass\u00edrio e Alvim, Lisboa, 2009, 143.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda20%22 id=%22rodape20%22>%9120%93<\/a> <i>Idem<\/i>, 234.<\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda21%22 id=%22rodape21%22>%9121%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2010\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20100512_vespri-fatima.html%22>PAPA BENTO XVI aos sacerdotes, religiosos, seminaristas e di\u00e1cono<\/a> acedido a 14\/10\/2017, 00:14.\n<\/p09>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<style>\n  .titulo-art2{\n    padding:0 20%;\n    transform:translatey(-3%);\n    color:white;\n    margin-bottom:-15%;\n  }\n  p04{\n    font-family:Montserrat;\n    font-size:30px;\n  }\n  p05{\n    font-family:Montserrat;\n    font-weight:700;\n    font-size:50px;\n    line-height:1;\n    text-transform:uppercase;\n  }<\/p>\n<p>  .discla2{\n    display:flex;\n    justify-content: flex-start;\n    column-gap:2%;\n    align-items: center;\n    transform:translatex(-12%);\n    margin-top:5%;\n  }\n  .fotopessoa{\n    padding:0;\n    width:10%;\n  }\n  .fotop{\n    border-radius: 50%;\n    width:70%;\n  }\n  p201{\n    font-family:Montserrat;\n    font-weight:700;\n    color:black;\n    font-size:15px;\n  }\n  p002{\n    font-family:Montserrat;\n    color:black;\n    font-size:15px;\n  }\n  p09{\n    font-family:Montserrat;\n    color:black;\n    font-size:15px;\n    font-weight:500;\n  }\n  .fundo{\n    background-color:blue;\n    padding;100% 0;\n  }\n  .contenttext2{\n    text-align: left;\n  text-justify: inter-word;\n  }<\/p>\n<\/style>\n<p>&#8221; raw_content_phone=&#8221;<\/p>\n<section class=%22section-color%22><\/section>\n<style>\n.section-color {\n  background-color:rgba(172, 147, 93, 0.5);\n  height: 50vh;\n  width: 100%;\n}\n<\/style>\n<div class=%22titulo-art1%22>\n<p5>\nA vida consagrada ainda seduz?<\/p5><\/br><\/br><br \/>\n<img src=%22https:\/\/asmaria.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/1516616479-7735-dsc_0120-scaled-1.jpg%22><\/p>\n<div class=%22discla1%22>\n<div class=%22fotopessoa1%22>\n  <img class=%22fotop1%22 src=%22https:\/\/asmaria.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ir.-Marta-Mendes.jpg%22><\/div>\n<div class=%22texto-pessoa%22>\n  <p201>Marta Mendes, asm<\/p201><\/br>\n<p002>\u00abMiss\u00e3o Espiritana em Portugal: Mem\u00f3ria e Promessa \u2013 150 anos\u00bb<\/p002><\/div>\n<\/div>\n<div class=%22contenttext1%22>\n  <p09>\n  <\/br><\/br><br \/>\n<strong>A vida consagrada ainda seduz?<\/strong> <\/br><br \/>\n<\/br>Esta pergunta poderia ser a alavanca para a g\u00e9nese de um chamariz vocacional. Ouvia h\u00e1 pouco tempo de um ateu que \u201cDeus, Deus \u00e9 uma pequena coisa\u201d. N\u00e3o chamaria \u2018coisa\u2019 ao Deus a quem me entreguei, n\u00e3o obstante, n\u00e3o me \u00e9 dif\u00edcil pensar em Deus como pequeno, muito pequeno, mais, como o Baix\u00edssimo, o \u201cAlt\u00edssimo que ousa ser o Baix\u00edssimo para se poder inclinar assim, t\u00e3o profundamente\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape1%22 id=%22roda1%22>%911%93<\/a>, porque \u00e9 pr\u00f3prio do Amor baixar-se. Por isso, creio que esta pergunta \u201ca vida consagrada ainda seduz?\u201d, muito para al\u00e9m de encontrar o seu lugar num plano pastoral atrativo, encontra a sua resposta naqueles e naquelas que decidem \u201cdeixar o caminho para entrar no Caminho, deixar o seu modo para entrar naquilo que n\u00e3o tem modo, que \u00e9 Deus\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape2%22 id=%22roda2%22>%912%93<\/a>. <\/br><\/br><br \/>\nA vida de um consagrado h\u00e1-de seduzir se este se dispuser a sair de si, se decidir colocar-se em atitude de <i>\u00eaxodo<\/i>, a uma sa\u00eddasem <i>retorno<\/i> equivalente ao <i>esvaziamento<\/i> de si: \u201cAlgu\u00e9m que estivesse inteiramente cheio, cuja felicidade e realiza\u00e7\u00e3o fosse completa, n\u00e3o teria espa\u00e7o para Deus. O santo n\u00e3o est\u00e1 cheio de si mesmo\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape3%22 id=%22roda3%22>%913%93<\/a>; o santo est\u00e1 perto de Deus e estar perto de Deus \u00e9 experimentar a <i>kenose<\/i>. Somente vazios de si os consagrados podem ser \u201crelatos de Deus\u201d, retalhos de luz onde Deus pode espreitar o homem e onde o homem pode saborear a eternidade. \u201cTal foi o sonho do Criador: poder contemplar-se na criatura e nela ver resplandecer todas as suas perfei\u00e7\u00f5es, toda a sua beleza\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape4%22 id=%22roda4%22>%914%93<\/a>. N\u00e3o ser\u00e1 este o sonho do Criador diante daqueles que Ele mesmo <i>separa para Si?<\/i><\/br><\/br><br \/>\nHoje, os consagrados t\u00eam a tarefa de ser testemunhas da presen\u00e7a transfiguradora de Deus num mundo cada vez mais desnorteado e confuso, um mundo em que os matizes t\u00eam substitu\u00eddo as cores bem definidas e caracterizadoras. Somos solicitados para muito trabalho ao servi\u00e7o do Reino mas, n\u00e3o questionando a indubit\u00e1vel generosidade, capaz de um testemunho e de uma entrega totais, a vida consagrada conhece presentemente, a amea\u00e7a da mediocridade, do aburguesamento e da mentalidade consumista <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape5%22 id=%22roda5%22>%915%93<\/a>.<\/br><\/br><br \/>\nLembro-me que, no meu retiro de votos perp\u00e9tuos, me disseram que, por vezes, \u201candamos t\u00e3o preocupados em anunciar o Reino que corremos o risco de nos esquecer do Rei\u201d. Numa \u00e9poca em que se perfumam v\u00e1rios deuses, os consagrados s\u00e3o chamados n\u00e3o a ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de ofuscar a verdade, n\u00e3o a deixar-se arrastar pela cultura do relativismo, do fragmento, n\u00e3o a deixar-se secularizar na sua mente e no seu cora\u00e7\u00e3o, mas antes a proclamar inequivocamente a verdade frente \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o dos falsos \u00eddolos e a \u201cserem far\u00f3is, a serem tochas que acompanham a viagem de homens e mulheres na noite escura do tempo, a serem sentinelas da manh\u00e3 anunciando o nascer do sol\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape6%22 id=%22roda6%22>%916%93<\/a>. Ao estilo do mundo inventar\u00edamos t\u00e9cnicas de markting, preocupar-nos-\u00edamos em que o maior n\u00famero de pessoas aderisse \u00e0 nossa publicidade, ocupar-nos-\u00edamos em ter sucesso, poder e visibilidade. Cristo n\u00e3o teve sucesso, n\u00e3o teve poder e a sua visibilidade nasce numa manjedoura.<\/br><\/br><br \/>\nN\u00e3o raras vezes nos esquecemos que \u201cpregamos Cristo crucificado\u201d (1 Cor 2, 23), a prega\u00e7\u00e3o do peito aberto, dos bra\u00e7os estendidos que, em gesto de abra\u00e7o, cura e resgata cada homem.<\/br><\/br><br \/>\nEvoco aqui duas figuras: o samaritano e a samaritana. O grande risco da vida do consagrado reside no facto de passarmos rapidamente da samaritana para o samaritano. Somos mais ativos que contemplativos. \u00c9 o encontro com Cristo o que leva a samaritana a deixar o c\u00e2ntaro, motivo pelo qual, embora ambas as atitudes \u2013 a\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o \u2013 se alternem, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a experi\u00eancia da samaritana \u2013 contempla\u00e7\u00e3o \u2013 para podermos ser o samaritano \u2013 a\u00e7\u00e3o \u2013 que coloca sobre a sua montada o homem ferido que encontra \u00e0 beira do caminho. O amor ao pr\u00f3ximo brota da beleza do encontro com Jesus Cristo, que se transforma em testemunho contagioso, capaz de inquietar o cora\u00e7\u00e3o dos homens, capaz de entusiasmar e suscitar o desejo de tamb\u00e9m outros quererem encontrar Jesus Cristo: \u201cEnt\u00e3o muitos mais acreditaram nele por causa da sua prega\u00e7\u00e3o, e diziam \u00e0 mulher: \u2018J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pelas tuas palavras que acreditamos; n\u00f3s pr\u00f3prios ouvimos e sabemos que Ele \u00e9 verdadeiramente o Salvador do mundo\u2019.\u201d (Jo 4, 41-42).<\/br><\/br><br \/>\nParafraseando o te\u00f3logo Karl Ranher: \u201co consagrado de amanh\u00e3 ou ser\u00e1 um m\u00edstico, isto \u00e9, uma pessoa que experimentou algo, ou n\u00e3o ser\u00e1 consagrado\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape7%22 id=%22roda7%22>%917%93<\/a>. Aquele que \u00e9 <i>dedicado exclusivamente a Deus<\/i>, \u201carde de zelo pelo seu Senhor\u201d (Cf. 1 Rs 19, 14), \u00e9 transformado pelo esplendor da sua beleza, porque pertencer ao Senhor significa conservar sempre ardente no cora\u00e7\u00e3o uma chama viva de amor, alimentada por uma f\u00e9 forte que, mesmo desconhecendo, se compromete, pois sabe que o seu Senhor nunca o falsear\u00e1. \u201cSe tiveres o Senhor do Mundo dentro de ti, no teu cora\u00e7\u00e3o \u00e0 prova de fogo, mant\u00e9m-no cercado\u2026 Deus \u00e9 perigoso. Deus \u00e9 um fogo que consome\u2026 Ele come\u00e7a com um pequeno amor, uma pequena chama e, antes que tu te apercebas, agarra-te e ficas aprisionado\u2026 Ele \u00e9 Deus, acostumado ao infinito\u2026 e um sedutor de cora\u00e7\u00f5es.\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape8%22 id=%22roda8%22>%918%93<\/a>. Por isso, \u00e0 pergunta \u201cque fazes aqui, tu que \u00e9s consagrado?\u201d responder\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o daquele que se deixou consagrar \u201cardo de zelo pelo meu Senhor\u201d (Cf. 1Rs 19, 13-14).<\/br><\/br><br \/>\n<strong>ORA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/br><br \/>\n\u201cOrai sem cessar. Em tudo dai gra\u00e7as, porque esta \u00e9 a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.\u201d (1 Tes 5, 17-18). Paulo desvenda o que deve ser o primeiro ato do cora\u00e7\u00e3o de um consagrado, a ora\u00e7\u00e3o. O ap\u00f3stolo n\u00e3o diz para orar bem, diz para orar sem cessar e, neste sentido, o ritmo da vida de ora\u00e7\u00e3o <i>daquele que \u00e9 separado para Deus<\/i>, deve ser dirigido pela fidelidade.  Na ora\u00e7\u00e3o o consagrado \u201cenche o olhar de Cristo e molda a exist\u00eancia ao seu jeito\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape9%22 id=%22roda9%22>%919%93<\/a> e a fidelidade adentra-o no caminho do encontro com o Cora\u00e7\u00e3o ferido de Cristo. O centro da humanidade de Jesus \u00e9 o Seu Cora\u00e7\u00e3o ferido. Conhec\u00ea-lo \u00e9 deixar-se ferir por esse amor que delicadamente nos abra\u00e7a. O amor \u00e9 o caminho do cora\u00e7\u00e3o ferido e s\u00f3 a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de fazer perceber a beleza desse caminho, mesmo no meio de pedras de des\u00e2nimo, cansa\u00e7o, aridez ou distra\u00e7\u00e3o. A fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola do amor feito gesto, a escola da humildade feita verdade, a escola da f\u00e9 feita liberdade. \u00c9 esta vida de ora\u00e7\u00e3o que faz de consagrados aquilo que realmente s\u00e3o: a obla\u00e7\u00e3o do Pai no hoje da salva\u00e7\u00e3o. Rostos alegres no despojamento, livres na obedi\u00eancia e excelentes na esperan\u00e7a, at\u00e9 que, em qualquer lugar onde se encontrem, possam levantar um altar a Deus com o seu pensamento e vontade. Deus est\u00e1 dentro deles e eles sabem-no; Deus est\u00e1 fora deles e eles v\u00eaem-no.<\/br><\/br><br \/>\nA ora\u00e7\u00e3o do consagrado \u00e9 o repouso do cora\u00e7\u00e3o no Cora\u00e7\u00e3o manso e humilde, mas \u00e9 tamb\u00e9m a s\u00faplica incessante daquele que deixa tudo pela humanidade. Deixai que use a bela imagem da aben\u00e7oada terra de F\u00e1tima: o Papa Francisco referia-se a F\u00e1tima como \u201cum manto de luz que nos cobre\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape10%22 id=%22roda10%22>%9110%93<\/a>. Vejo aqui um belo retrato do que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o dos consagrados: um manto de luz que cobre as sombras da humanidade, igual \u00e0 beleza daquele recinto, cujas luzes s\u00e3o pequenas velas que, apesar da sua pequenez, iluminam a noite. Com que carinho Deus olha para a ora\u00e7\u00e3o daqueles a quem Ele quer chamar a um caminho de elei\u00e7\u00e3o; qu\u00e3o amada \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o daqueles que se entregam pela Igreja e pela humanidade!<\/br><\/br><br \/>\nO Papa Paulo VI ressaltava precisamente a relev\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na vida dos consagrados: \u201cTende, pois, consci\u00eancia da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na nossa vida e aprendei a aplicar-vos generosamente a ela: a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o quotidiana continua a ser sempre, para cada um e para cada uma de v\u00f3s, uma necessidade fundamental e deve ocupar o primeiro lugar nas vossas constitui\u00e7\u00f5es e na vossa vida\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape11%22 id=%22roda11%22>%9111%93<\/a>.<\/br><\/br><br \/>\nA este prop\u00f3sito, creio que o grande risco da vida dos consagrados \u00e9 de secundarizar o essencial e \u201cessencializar\u201d o secund\u00e1rio. Sem uma vida de ora\u00e7\u00e3o constante os consagrados correm o risco de serem apenas funcion\u00e1rios de Deus e n\u00e3o aquilo que realmente s\u00e3o: consagrados. Sem ora\u00e7\u00e3o, a pessoa consagrada corre o risco de caminhar sem b\u00fassola nem objetivo, perde a sua identidade e come\u00e7a a \u201cn\u00e3o ser carne nem peixe\u201d. Vive com o cora\u00e7\u00e3o dividido entre Deus e a mundanidade. Esquece o seu primeiro amor<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape12%22 id=%22roda12%22>%9112%93<\/a>.<\/br><\/br><br \/>\n\u201cO que \u00e9 feito do teu primeiro amor?\u201d, perguntava Santa Catarina de Sena. Vivemos a nossa consagra\u00e7\u00e3o como enamorados de Deus, ou vivemos ainda presos aos nossos projetos pessoais? Poderemos n\u00f3s falar de Deus antes de encher o olhar d\u2019Ele?<\/br><\/br><br \/>\nN\u00e3o basta ser bom sacerdote ou boa religiosa. A atitude do consagrado tem de passar de uma obriga\u00e7\u00e3o moral para uma paix\u00e3o absoluta: \u201cEnamora-te, permanece enamorado e tudo ficar\u00e1 decidido\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape13%22 id=%22roda13%22>%9113%93<\/a>. \u00c9 vital incarnar o pr\u00f3prio Cristo e prender o cora\u00e7\u00e3o ao Seu Cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o admitir alternativas: \u201cSe ofereceste o teu cora\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o procures o de outra pessoa (ou coisa) para o colocar no seu lugar. Deus n\u00e3o quer que tu brinques aos \u2018transplantes de cora\u00e7\u00e3o\u2019.\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape14%22 id=%22roda14%22>%9114%93<\/a>. Quanto mais o trabalho assaltar a vida do consagrado, mais ele tem de a preencher com a ora\u00e7\u00e3o. Rezar \u00e9 o gesto pr\u00f3prio do que se levanta para procurar Aquele que o habita. Rezar \u00e9 viver de cora\u00e7\u00e3o desperto, sem deixar que a rotina, a pregui\u00e7a ou o desencanto do primeiro amor fechem a beleza de ter sido chamado por Deus para <i>dar a vida.<\/i>  <\/br><\/br><br \/>\n<strong>ALEGRIA<\/strong><\/br><br \/>\nA Vida Consagrada \u00e9 formada por muitos rostos concretos, rostos esses que, aos olhos do mundo, n\u00e3o s\u00e3o rostos de her\u00f3is, pois n\u00e3o alcan\u00e7aram coisa alguma, sen\u00e3o a vida em Deus: \u201c\u00c9 que para mim viver \u00e9 Cristo e morrer \u00e9 lucro\u201d (Fil 1, 21). S\u00e3o rostos que se descobrem fracos, fr\u00e1geis e dependentes de Deus e por isso tudo esperam d\u2019Ele. Pobres e por isso cheios de esperan\u00e7a. Se contarmos apenas connosco, com as pr\u00f3prias for\u00e7as, n\u00e3o seremos radicalmente pobres, n\u00e3o poderemos praticar a verdadeira esperan\u00e7a. Aquele que se sabe infinitamente fraco e fr\u00e1gil, que n\u00e3o se apoia de maneira alguma em si mesmo, mas que conta firmemente com Deus e que d\u2019Ele \u2013 e s\u00f3 d\u2019Ele \u2013 espera tudo, esse \u00e9 excelente na esperan\u00e7a e est\u00e1 pronto para sacrificar \u201cos seus Isaacs\u201d porque sabe que \u201cDeus providenciar\u00e1\u201d (Cf. Gen 22, 1-14). Esta \u00e9 a alegria que nasce daquele encontro profundo que muda radical, efetiva e afetivamente, a vida e o ser do consagrado. Esta \u00e9 a alegria que brota do abandono simples e sereno, igual ao das crian\u00e7as que se sabem seguras nos bra\u00e7os do seu pai, e que, em jeito inocente, comprometem o seu cora\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a alegria que canta a candura de algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o necessita de defesas, porque vive da confian\u00e7a: \u201cSeja o que for \/ser\u00e1 bom \/ \u00e9 tudo\u201d <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape15%22 id=%22roda15%22>%9115%93<\/a>.<\/br><\/br><br \/>\n<strong>OBEDI\u00caNCIA<\/strong><br \/>\n<\/br>Para o mundo o consagrado pode ter perdido a no\u00e7\u00e3o do que significa viver. Para o mundo o consagrado \u00e9 um pobre coitado que abdica do bem mais precioso, a autonomia e a liberdade, ou ent\u00e3o \u00e9 um infeliz que n\u00e3o conheceu o amor correspondido. Em certo sentido, aquele que corajosamente pronunciou uma palavra semelhante \u00e0 pronunciada pela jovem de Nazar\u00e9 \u2013 Fiat \u2013 perdeu-se; n\u00e3o como quem desespera, mas como quem \u00e9 encontrado na Luz imensa que \u00e9 Deus. E f\u00e1-lo no sil\u00eancio, sem que ningu\u00e9m saiba; f\u00e1-lo para ser, escondidamente, gr\u00e3o no meio da ciz\u00e2nia; f\u00e1-lo por amor, sem nada pedir em troca.<\/br><\/br><br \/>\nO consagrado n\u00e3o chega a viver para si mesmo. Como Aquele a Quem segue, Jesus Cristo, entrega a sua vida livremente. N\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m que lha tira. \u00c9 ele que a d\u00e1. O consagrado disp\u00f5e de si, da sua vida, e gasta-a pelos outros, aceita cansar-se por rostos que nunca ir\u00e1 conhecer. E n\u00e3o h\u00e1 maior liberdade do que a daquele que, ao jeito de Cristo, se faz obla\u00e7\u00e3o amorosa. \u201cH\u00e1 efetivamente uma grande liberdade numa vida obediente, grande fecundidade num cora\u00e7\u00e3o virgem, grande riqueza em nada possuir\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape16%22 id=%22roda16%22>%9116%93<\/a>.<\/br><\/br><br \/>\n\u201cEis que venho \u00f3 Pai para fazer a vossa vontade\u201d (Heb 10, 7). Talvez nada melhor que este refr\u00e3o defina o in\u00edcio de uma bela melodia, na vida de um consagrado. Deixando-se perscrutar e transformar pelo Crucificado, a pessoa que se consagra torna-se ela mesma, lugar de holocausto. A obedi\u00eancia, esc\u00e2ndalo para o mundo, \u00e9 a obla\u00e7\u00e3o da vontade, o primeiro lugar do holocausto na profiss\u00e3o religiosa. Contudo, precisamente por isso, \u00e9 lugar de uma Eucaristia constante, na qual <i>aquele que \u00e9 separado para Deus<\/i>, pode dizer unido a Cristo: \u201ctomai e comei isto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s; tomai e bebei isto \u00e9 o meu Sangue derramado por v\u00f3s\u201d (Cf. Lc 22, 19-20). Cada ato de obedi\u00eancia \u00e9 uma doa\u00e7\u00e3o, uma imola\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma Eucaristia. Aquilo que algu\u00e9m reserva para si, para conservar uma margem de liberdade, abre uma fenda na harmonia que a doa\u00e7\u00e3o traz em si mesma. <\/br><\/br><br \/>\n\u201cPara os consagrados, progredir significa rebaixar-se no servi\u00e7o, abaixar-se, fazer-se servo para servir. Esta obedi\u00eancia e docilidade n\u00e3o s\u00e3o uma coisa te\u00f3rica, tamb\u00e9m elas est\u00e3o sob o regime da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo: docilidade e obedi\u00eancia a um fundador, docilidade e obedi\u00eancia a uma regra concreta, docilidade e obedi\u00eancia a um superior, docilidade e obedi\u00eancia \u00e0 Igreja\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape17%22 id=%22roda17%22>%9117%93<\/a>. O documento <i>Perfectae Caritatis<\/i>, do Concilio Vaticano II, diz no n.\u00ba 14, que \u201cos religiosos, sob a mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, sujeitam-se na f\u00e9 aos Superiores, vig\u00e1rios de Deus, e por eles s\u00e3o levados a servir todos os seus irm\u00e3os em Cristo, da mesma maneira que o pr\u00f3prio Cristo\u201d.<\/br><\/br><br \/>\nAo contr\u00e1rio do que possa parecer, n\u00e3o h\u00e1 liberdade sen\u00e3o na submiss\u00e3o a Deus, na \u201cobedi\u00eancia da f\u00e9\u201d (Rm 1,5) de que S. Paulo fala. A obedi\u00eancia \u00e9 o caminho que o cora\u00e7\u00e3o percorre e que se estende entre as suas divis\u00f5es at\u00e9 chegar ao gesto s\u00f3lido e inteligente da f\u00e9, mediante o qual nos confiamos livremente a um Deus que nos ama, semelhante ao gesto humilde e imaculado da mulher de Nazar\u00e9. Ela, Maria, vivia inteiramente da e na rela\u00e7\u00e3o com Deus; p\u00f4s-se em posi\u00e7\u00e3o de escuta; cada gesto, cada palavra era guardada no Seu Cora\u00e7\u00e3o. No Seu Cora\u00e7\u00e3o submeteu-se de maneira livre \u00e0 palavra recebida, \u00e0 vontade divina na obedi\u00eancia da f\u00e9. Nela o canto tem o nome da f\u00e9 que canta a miseric\u00f3rdia e termina no amor. <\/br><\/br><br \/>\nO equ\u00edvoco da liberdade est\u00e1 em consider\u00e1-la como uma realidade exterior, dependente das circunst\u00e2ncias. Temos \u2013 erradamente \u2013 a impress\u00e3o de que aquilo que nos limita a liberdade s\u00e3o as circunst\u00e2ncias: as contrariedades, as obriga\u00e7\u00f5es, as limita\u00e7\u00f5es. E, quando nos sentimos um pouco abafados pelas circunst\u00e2ncias em que estamos metidos, atribu\u00edmos as culpas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e \u00e0s pessoas que consideramos serem a causa. Sem d\u00favida que existem horas de escurid\u00e3o e sofrimento, n\u00e3o obstante, quanto ressentimento alimentamos contra tudo o que n\u00e3o corre ao nosso modo ou contra aquilo que n\u00e3o entendemos! A verdadeira liberdade n\u00e3o \u00e9 tanto uma conquista nossa (como se promove na propaganda da autonomia), mas um dom de Deus, um fruto do Esp\u00edrito Santo, que recebemos na medida em que aceitamos viver por amor, na depend\u00eancia do nosso Criador. \u00c9 no cora\u00e7\u00e3o que estamos comprimidos, e essa \u00e9 a origem da nossa falta de liberdade <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape18%22 id=%22roda18%22>%9118%93<\/a>. O ato mais elevado e mais fecundo da liberdade humana consiste mais no acolhimento do que no dom\u00ednio. Recordo, a este prop\u00f3sito, a experi\u00eancia de Etty Hillesum, uma judia, que meses antes de morrer nos questiona:<\/br><\/br><br \/>\n<i>\u201cAs regi\u00f5es da alma e do esp\u00edrito s\u00e3o t\u00e3o vastas e intermin\u00e1veis que este bocadinho de desconforto f\u00edsico e sofrimento n\u00e3o importam realmente muito, n\u00e3o me sinto despojada da minha liberdade e, na verdade, tamb\u00e9m ningu\u00e9m me pode fazer mal.\u201d<\/i> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape19%22 id=%22roda19%22>%9119%93<\/a> <\/br><\/br><br \/>\n<i>\u201c\u2026 fic\u00e1mos marcados pelo sofrimento para a vida inteira. E, ainda assim, a vida, na sua irracional profundidade, \u00e9 t\u00e3o maravilhosamente boa \u2013 tenho de voltar a diz\u00ea-lo\u201d.<\/i> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape20%22 id=%22roda20%22>%9120%93<\/a><\/br><\/br><br \/>\nDiz Bento XVI que \u201ca fidelidade no tempo \u00e9 o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo\u201d<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#rodape21%22 id=%22roda21%22>%9121%93<\/a>, pr\u00f3prio de quem se deixou encontrar pelo Senhor Jesus e \u00e9 isto que traz uma profunda e comovente alegria de quem se sabe por Ele amparado. Seja noite ou dia, seja dor ou contentamento o toque de Deus manifestar-se-\u00e1 sempre doce e terno. No sil\u00eancio de uma c\u00e2ndida entrega, no sorriso despojado e livre, rompe-se a luz de um dia novo e a esperan\u00e7a inteira capaz de seduzir e atrair, pronunciando sobre cada homem:<\/br><\/br><br \/>\n<i>\u201cQue o vosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o resista mais; que a cidadela da vossa alma se renda porque o fogo foi posto em toda a parte\u201d<\/i><br \/>\n(Sta. Catarina de Sena). <\/br><\/br><\/p>\n<hr>\n<p><\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda1%22 id=%22rodape1%22>%911%93<\/a> Cf. BOBIN, Christian, <i>Um Deus \u00e0 flor da terra<\/i>, ed. Difel, Linda-a-velha, 1992, p. 54.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda2%22 id=%22rodape2%22>%912%93<\/a> JO\u00c3O DA CRUZ, <i>Obras Completas, Subida do Monte Carmelo<\/i>, 4, 5, Ed. Carmelo, Marco de Canaveses, 2005.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda3%22 id=%22rodape3%22>%913%93<\/a> Citado em RADCLIFFE ,T., <i>Ir \u00e0 Igreja, porqu\u00ea?<\/i>, 209.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda4%22 id=%22rodape4%22>%914%93<\/a> ISABEL DA TRINDADE, <i>Obras Completas<\/i>, Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, 1989, p. 96.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda5%22 id=%22rodape5%22>%915%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22https:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2006\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20060522_vita-consacrata.html%22>Cf. PAPA BENTO XVI, <i>Discurso aos superiores e \u00e0s superioras gerais dos institutos de vida consagrada e das sociedades de vida apost\u00f3lica<\/i><\/a> acedido a  12\/10\/17, 12:22.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda6%22 id=%22rodape6%22>%916%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_constitutions\/documents\/papa-francesco_costituzione-ap_20160629_vultum-dei-quaerere.html%22>Cf. PAPA FRANCISCO, <i>Vultum Dei Quaerere<\/i>, n. \u00ba 6<\/a>  acedido a 12\/10\/2017, 12:30.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda7%22 id=%22rodape7%22>%917%93<\/a> KARL RAHNER, <i>Christian Living Formerly and Today<\/i>, Theological Investigations, vol. 7, translated by David Bourke (New York: Herder and Herder, 1971), p. 15.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda8%22 id=%22rodape8%22>%918%93<\/a> BALTHASAR, H. U. V., <i>O cora\u00e7\u00e3o do mundo<\/i>, cit. in GALLAGHER, M., <i>A surpreendente novidade de Cristo<\/i>, A.O., Braga, 2012, 76.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda9%22 id=%22rodape9%22>%919%93<\/a> GOMES, P. V., \u201cDo ros\u00e1rio ora\u00e7\u00e3o cordial\u201d, in <i>O meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o teu ref\u00fagio e o caminho que te conduzir\u00e1 at\u00e9 Deus, Itiner\u00e1rio Tem\u00e1tico do Centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima<\/i>, 7\u00ba Ciclo, Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, 2016, p. 133.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda10%22 id=%22rodape10%22>%9110%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2017\/documents\/papa-francesco_20170513_omelia-pellegrinaggio-fatima.html%22>PAPA FRANCISCO, homilia da Santa Missa com o rito da Canoniza\u00e7\u00e3o dos Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto<\/a>  acedido a 27\/11\/2017, 10:05.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda11%22 id=%22rodape11%22>%9111%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_p-vi_exh_19710629_evangelica-testificatio.html%22>PAPA PAULO VI, <i>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evagelica Testeficatio<\/i>, 45<\/a> acedido a 27\/11\/2017, 10:15.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda12%22 id=%22rodape12%22>%9112%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/april\/documents\/papa-francesco_20170429_egitto-clero.html%22>PAPA FRANCISCO, <i>Encontro de ora\u00e7\u00e3o com o clero, religiosos e seminaristas<\/i><\/a> acedido a 12\/10\/2017, 14:36.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda13%22 id=%22rodape13%22>%9113%93<\/a> ARRUPE P., <i>Rezar com o Padre Arrupe<\/i>, Ed. A.O., Braga, 2007, p. 117.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda14%22 id=%22rodape14%22>%9114%93<\/a> VAN THUAN, F. X. N., <i>O Caminho da Esperan\u00e7a<\/i>, Paulinas, Prior Velho, 2007, 43.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda15%22 id=%22rodape15%22>%9115%93<\/a> FARIA, D., Poesia, Ass\u00edrio e Alvim, Porto, 2012, p. 442.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda16%22 id=%22rodape16%22>%9116%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/april\/documents\/papa-francesco_20150411_raduno-formatori-consacrati.html%22>PAPA FRANCISCO, <i>Discurso aos formadores de vida consagrada<\/i><\/a>  acedido a 13\/10\/2017, 22:30.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda17%22 id=%22rodape17%22>%9117%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2015\/documents\/papa-francesco_20150202_omelia-vita-consacrata.html%22>PAPA FRANCISCO, <i>Homilia da Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor<\/i><\/a> acedido a 27\/11\/2017, 10:10.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda18%22 id=%22rodape18%22>%9118%93<\/a> JACQUES PHILIPPE, <i>A liberdade interior<\/i>, paulus, lisboa, 2014,p. 17.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda19%22 id=%22rodape19%22>%9119%93<\/a> HILLESUM, E., <i>Cartas<\/i>, Ass\u00edrio e Alvim, Lisboa, 2009, 143.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda20%22 id=%22rodape20%22>%9120%93<\/a> <i>Idem<\/i>, 234.<\/br><\/br><br \/>\n<a style=%22color:#ad945d%22 href=%22#roda21%22 id=%22rodape21%22>%9121%93<\/a> <a style=%22color:#ad945d%22 href=%22http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2010\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20100512_vespri-fatima.html%22>PAPA BENTO XVI aos sacerdotes, religiosos, seminaristas e di\u00e1cono<\/a> acedido a 14\/10\/2017, 00:14.\n<\/p09>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<style>\n  .titulo-art1{\n    padding:0 5%;\n    transform:translatey(-1.5%);\n    color:white;\n    margin-bottom:-15%;\n  }<\/p>\n<p>  p5{\n    font-family:Montserrat;\n    font-weight:700;\n    font-size:35px;\n    line-height:1;\n    text-transform:uppercase;\n  }<\/p>\n<p>  .discla1{\n    display:flex;\n    justify-content: flex-start;\n    column-gap:0%;\n    align-items: center;\n    margin-top:5%;\n  }\n  .fotopessoa1{\n    padding:0;\n    width:18%;\n  }\n  .fotop1{\n    border-radius: 50%;\n    width:70%;\n  }\n  p201{\n    font-family:Montserrat;\n    font-weight:700;\n    color:black;\n    font-size:15px;\n  }\n  p002{\n    font-family:Montserrat;\n    color:black;\n    font-size:15px;\n  }\n  p09{\n    font-family:Montserrat;\n    color:black;\n    font-size:15px;\n    font-weight:500;\n  }<\/p>\n<p>  .fundo{\n    background-color:blue;\n    padding;100% 0;\n  }\n  .contenttext1{\n    text-align: left;\n  text-justify: inter-word;\n  }<\/p>\n<\/style>\n<p>&#8221; 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Ouvia h\u00e1 pouco tempo de um ateu que \u201cDeus, Deus \u00e9 uma pequena coisa\u201d. N\u00e3o chamaria \u2018coisa\u2019 ao Deus a quem me entreguei, n\u00e3o obstante, n\u00e3o me \u00e9 dif\u00edcil pensar em Deus como pequeno, muito pequeno, mais, como o Baix\u00edssimo, o \u201cAlt\u00edssimo que ousa ser o Baix\u00edssimo para se poder inclinar assim, t\u00e3o profundamente\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape1\" id=\"roda1\">[1]<\/a>, porque \u00e9 pr\u00f3prio do Amor baixar-se. Por isso, creio que esta pergunta \u201ca vida consagrada ainda seduz?\u201d, muito para al\u00e9m de encontrar o seu lugar num plano pastoral atrativo, encontra a sua resposta naqueles e naquelas que decidem \u201cdeixar o caminho para entrar no Caminho, deixar o seu modo para entrar naquilo que n\u00e3o tem modo, que \u00e9 Deus\u201d <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape2\" id=\"roda2\">[2]<\/a>. <!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->A vida de um consagrado h\u00e1-de seduzir se este se dispuser a sair de si, se decidir colocar-se em atitude de <i>\u00eaxodo<\/i>, a uma sa\u00eddasem <i>retorno<\/i> equivalente ao <i>esvaziamento<\/i> de si: \u201cAlgu\u00e9m que estivesse inteiramente cheio, cuja felicidade e realiza\u00e7\u00e3o fosse completa, n\u00e3o teria espa\u00e7o para Deus. O santo n\u00e3o est\u00e1 cheio de si mesmo\u201d <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape3\" id=\"roda3\">[3]<\/a>; o santo est\u00e1 perto de Deus e estar perto de Deus \u00e9 experimentar a <i>kenose<\/i>. Somente vazios de si os consagrados podem ser \u201crelatos de Deus\u201d, retalhos de luz onde Deus pode espreitar o homem e onde o homem pode saborear a eternidade. \u201cTal foi o sonho do Criador: poder contemplar-se na criatura e nela ver resplandecer todas as suas perfei\u00e7\u00f5es, toda a sua beleza\u201d <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape4\" id=\"roda4\">[4]<\/a>. N\u00e3o ser\u00e1 este o sonho do Criador diante daqueles que Ele mesmo <i>separa para Si?<\/i><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Hoje, os consagrados t\u00eam a tarefa de ser testemunhas da presen\u00e7a transfiguradora de Deus num mundo cada vez mais desnorteado e confuso, um mundo em que os matizes t\u00eam substitu\u00eddo as cores bem definidas e caracterizadoras. Somos solicitados para muito trabalho ao servi\u00e7o do Reino mas, n\u00e3o questionando a indubit\u00e1vel generosidade, capaz de um testemunho e de uma entrega totais, a vida consagrada conhece presentemente, a amea\u00e7a da mediocridade, do aburguesamento e da mentalidade consumista <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape5\" id=\"roda5\">[5]<\/a>.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Lembro-me que, no meu retiro de votos perp\u00e9tuos, me disseram que, por vezes, \u201candamos t\u00e3o preocupados em anunciar o Reino que corremos o risco de nos esquecer do Rei\u201d. Numa \u00e9poca em que se perfumam v\u00e1rios deuses, os consagrados s\u00e3o chamados n\u00e3o a ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de ofuscar a verdade, n\u00e3o a deixar-se arrastar pela cultura do relativismo, do fragmento, n\u00e3o a deixar-se secularizar na sua mente e no seu cora\u00e7\u00e3o, mas antes a proclamar inequivocamente a verdade frente \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o dos falsos \u00eddolos e a \u201cserem far\u00f3is, a serem tochas que acompanham a viagem de homens e mulheres na noite escura do tempo, a serem sentinelas da manh\u00e3 anunciando o nascer do sol\u201d <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape6\" id=\"roda6\">[6]<\/a>. Ao estilo do mundo inventar\u00edamos t\u00e9cnicas de markting, preocupar-nos-\u00edamos em que o maior n\u00famero de pessoas aderisse \u00e0 nossa publicidade, ocupar-nos-\u00edamos em ter sucesso, poder e visibilidade. Cristo n\u00e3o teve sucesso, n\u00e3o teve poder e a sua visibilidade nasce numa manjedoura.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->N\u00e3o raras vezes nos esquecemos que \u201cpregamos Cristo crucificado\u201d (1 Cor 2, 23), a prega\u00e7\u00e3o do peito aberto, dos bra\u00e7os estendidos que, em gesto de abra\u00e7o, cura e resgata cada homem.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Evoco aqui duas figuras: o samaritano e a samaritana. O grande risco da vida do consagrado reside no facto de passarmos rapidamente da samaritana para o samaritano. Somos mais ativos que contemplativos. \u00c9 o encontro com Cristo o que leva a samaritana a deixar o c\u00e2ntaro, motivo pelo qual, embora ambas as atitudes \u2013 a\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o \u2013 se alternem, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a experi\u00eancia da samaritana \u2013 contempla\u00e7\u00e3o \u2013 para podermos ser o samaritano \u2013 a\u00e7\u00e3o \u2013 que coloca sobre a sua montada o homem ferido que encontra \u00e0 beira do caminho. O amor ao pr\u00f3ximo brota da beleza do encontro com Jesus Cristo, que se transforma em testemunho contagioso, capaz de inquietar o cora\u00e7\u00e3o dos homens, capaz de entusiasmar e suscitar o desejo de tamb\u00e9m outros quererem encontrar Jesus Cristo: \u201cEnt\u00e3o muitos mais acreditaram nele por causa da sua prega\u00e7\u00e3o, e diziam \u00e0 mulher: \u2018J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pelas tuas palavras que acreditamos; n\u00f3s pr\u00f3prios ouvimos e sabemos que Ele \u00e9 verdadeiramente o Salvador do mundo\u2019.\u201d (Jo 4, 41-42).<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Parafraseando o te\u00f3logo Karl Ranher: \u201co consagrado de amanh\u00e3 ou ser\u00e1 um m\u00edstico, isto \u00e9, uma pessoa que experimentou algo, ou n\u00e3o ser\u00e1 consagrado\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape7\" id=\"roda7\">[7]<\/a>. Aquele que \u00e9 <i>dedicado exclusivamente a Deus<\/i>, \u201carde de zelo pelo seu Senhor\u201d (Cf. 1 Rs 19, 14), \u00e9 transformado pelo esplendor da sua beleza, porque pertencer ao Senhor significa conservar sempre ardente no cora\u00e7\u00e3o uma chama viva de amor, alimentada por uma f\u00e9 forte que, mesmo desconhecendo, se compromete, pois sabe que o seu Senhor nunca o falsear\u00e1. \u201cSe tiveres o Senhor do Mundo dentro de ti, no teu cora\u00e7\u00e3o \u00e0 prova de fogo, mant\u00e9m-no cercado\u2026 Deus \u00e9 perigoso. Deus \u00e9 um fogo que consome\u2026 Ele come\u00e7a com um pequeno amor, uma pequena chama e, antes que tu te apercebas, agarra-te e ficas aprisionado\u2026 Ele \u00e9 Deus, acostumado ao infinito\u2026 e um sedutor de cora\u00e7\u00f5es.\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape8\" id=\"roda8\">[8]<\/a>. Por isso, \u00e0 pergunta \u201cque fazes aqui, tu que \u00e9s consagrado?\u201d responder\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o daquele que se deixou consagrar \u201cardo de zelo pelo meu Senhor\u201d (Cf. 1Rs 19, 13-14).<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><strong>ORA\u00c7\u00c3O<\/strong><!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->\u201cOrai sem cessar. Em tudo dai gra\u00e7as, porque esta \u00e9 a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.\u201d (1 Tes 5, 17-18). Paulo desvenda o que deve ser o primeiro ato do cora\u00e7\u00e3o de um consagrado, a ora\u00e7\u00e3o. O ap\u00f3stolo n\u00e3o diz para orar bem, diz para orar sem cessar e, neste sentido, o ritmo da vida de ora\u00e7\u00e3o <i>daquele que \u00e9 separado para Deus<\/i>, deve ser dirigido pela fidelidade.  Na ora\u00e7\u00e3o o consagrado \u201cenche o olhar de Cristo e molda a exist\u00eancia ao seu jeito\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape9\" id=\"roda9\">[9]<\/a> e a fidelidade adentra-o no caminho do encontro com o Cora\u00e7\u00e3o ferido de Cristo. O centro da humanidade de Jesus \u00e9 o Seu Cora\u00e7\u00e3o ferido. Conhec\u00ea-lo \u00e9 deixar-se ferir por esse amor que delicadamente nos abra\u00e7a. O amor \u00e9 o caminho do cora\u00e7\u00e3o ferido e s\u00f3 a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de fazer perceber a beleza desse caminho, mesmo no meio de pedras de des\u00e2nimo, cansa\u00e7o, aridez ou distra\u00e7\u00e3o. A fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola do amor feito gesto, a escola da humildade feita verdade, a escola da f\u00e9 feita liberdade. \u00c9 esta vida de ora\u00e7\u00e3o que faz de consagrados aquilo que realmente s\u00e3o: a obla\u00e7\u00e3o do Pai no hoje da salva\u00e7\u00e3o. Rostos alegres no despojamento, livres na obedi\u00eancia e excelentes na esperan\u00e7a, at\u00e9 que, em qualquer lugar onde se encontrem, possam levantar um altar a Deus com o seu pensamento e vontade. Deus est\u00e1 dentro deles e eles sabem-no; Deus est\u00e1 fora deles e eles v\u00eaem-no.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->A ora\u00e7\u00e3o do consagrado \u00e9 o repouso do cora\u00e7\u00e3o no Cora\u00e7\u00e3o manso e humilde, mas \u00e9 tamb\u00e9m a s\u00faplica incessante daquele que deixa tudo pela humanidade. Deixai que use a bela imagem da aben\u00e7oada terra de F\u00e1tima: o Papa Francisco referia-se a F\u00e1tima como \u201cum manto de luz que nos cobre\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape10\" id=\"roda10\">[10]<\/a>. Vejo aqui um belo retrato do que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o dos consagrados: um manto de luz que cobre as sombras da humanidade, igual \u00e0 beleza daquele recinto, cujas luzes s\u00e3o pequenas velas que, apesar da sua pequenez, iluminam a noite. Com que carinho Deus olha para a ora\u00e7\u00e3o daqueles a quem Ele quer chamar a um caminho de elei\u00e7\u00e3o; qu\u00e3o amada \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o daqueles que se entregam pela Igreja e pela humanidade!<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->O Papa Paulo VI ressaltava precisamente a relev\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na vida dos consagrados: \u201cTende, pois, consci\u00eancia da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na nossa vida e aprendei a aplicar-vos generosamente a ela: a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o quotidiana continua a ser sempre, para cada um e para cada uma de v\u00f3s, uma necessidade fundamental e deve ocupar o primeiro lugar nas vossas constitui\u00e7\u00f5es e na vossa vida\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape11\" id=\"roda11\">[11]<\/a>.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->A este prop\u00f3sito, creio que o grande risco da vida dos consagrados \u00e9 de secundarizar o essencial e \u201cessencializar\u201d o secund\u00e1rio. Sem uma vida de ora\u00e7\u00e3o constante os consagrados correm o risco de serem apenas funcion\u00e1rios de Deus e n\u00e3o aquilo que realmente s\u00e3o: consagrados. Sem ora\u00e7\u00e3o, a pessoa consagrada corre o risco de caminhar sem b\u00fassola nem objetivo, perde a sua identidade e come\u00e7a a \u201cn\u00e3o ser carne nem peixe\u201d. Vive com o cora\u00e7\u00e3o dividido entre Deus e a mundanidade. Esquece o seu primeiro amor<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape12\" id=\"roda12\">[12]<\/a>.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->\u201cO que \u00e9 feito do teu primeiro amor?\u201d, perguntava Santa Catarina de Sena. Vivemos a nossa consagra\u00e7\u00e3o como enamorados de Deus, ou vivemos ainda presos aos nossos projetos pessoais? Poderemos n\u00f3s falar de Deus antes de encher o olhar d\u2019Ele?<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->N\u00e3o basta ser bom sacerdote ou boa religiosa. A atitude do consagrado tem de passar de uma obriga\u00e7\u00e3o moral para uma paix\u00e3o absoluta: \u201cEnamora-te, permanece enamorado e tudo ficar\u00e1 decidido\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape13\" id=\"roda13\">[13]<\/a>. \u00c9 vital incarnar o pr\u00f3prio Cristo e prender o cora\u00e7\u00e3o ao Seu Cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o admitir alternativas: \u201cSe ofereceste o teu cora\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o procures o de outra pessoa (ou coisa) para o colocar no seu lugar. Deus n\u00e3o quer que tu brinques aos \u2018transplantes de cora\u00e7\u00e3o\u2019.\u201d <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape14\" id=\"roda14\">[14]<\/a>. Quanto mais o trabalho assaltar a vida do consagrado, mais ele tem de a preencher com a ora\u00e7\u00e3o. Rezar \u00e9 o gesto pr\u00f3prio do que se levanta para procurar Aquele que o habita. Rezar \u00e9 viver de cora\u00e7\u00e3o desperto, sem deixar que a rotina, a pregui\u00e7a ou o desencanto do primeiro amor fechem a beleza de ter sido chamado por Deus para <i>dar a vida.<\/i>  <!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><strong>ALEGRIA<\/strong><!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->A Vida Consagrada \u00e9 formada por muitos rostos concretos, rostos esses que, aos olhos do mundo, n\u00e3o s\u00e3o rostos de her\u00f3is, pois n\u00e3o alcan\u00e7aram coisa alguma, sen\u00e3o a vida em Deus: \u201c\u00c9 que para mim viver \u00e9 Cristo e morrer \u00e9 lucro\u201d (Fil 1, 21). S\u00e3o rostos que se descobrem fracos, fr\u00e1geis e dependentes de Deus e por isso tudo esperam d\u2019Ele. Pobres e por isso cheios de esperan\u00e7a. Se contarmos apenas connosco, com as pr\u00f3prias for\u00e7as, n\u00e3o seremos radicalmente pobres, n\u00e3o poderemos praticar a verdadeira esperan\u00e7a. Aquele que se sabe infinitamente fraco e fr\u00e1gil, que n\u00e3o se apoia de maneira alguma em si mesmo, mas que conta firmemente com Deus e que d\u2019Ele \u2013 e s\u00f3 d\u2019Ele \u2013 espera tudo, esse \u00e9 excelente na esperan\u00e7a e est\u00e1 pronto para sacrificar \u201cos seus Isaacs\u201d porque sabe que \u201cDeus providenciar\u00e1\u201d (Cf. Gen 22, 1-14). Esta \u00e9 a alegria que nasce daquele encontro profundo que muda radical, efetiva e afetivamente, a vida e o ser do consagrado. Esta \u00e9 a alegria que brota do abandono simples e sereno, igual ao das crian\u00e7as que se sabem seguras nos bra\u00e7os do seu pai, e que, em jeito inocente, comprometem o seu cora\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a alegria que canta a candura de algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o necessita de defesas, porque vive da confian\u00e7a: \u201cSeja o que for \/ser\u00e1 bom \/ \u00e9 tudo\u201d <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape15\" id=\"roda15\">[15]<\/a>.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><strong>OBEDI\u00caNCIA<\/strong><!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Para o mundo o consagrado pode ter perdido a no\u00e7\u00e3o do que significa viver. Para o mundo o consagrado \u00e9 um pobre coitado que abdica do bem mais precioso, a autonomia e a liberdade, ou ent\u00e3o \u00e9 um infeliz que n\u00e3o conheceu o amor correspondido. Em certo sentido, aquele que corajosamente pronunciou uma palavra semelhante \u00e0 pronunciada pela jovem de Nazar\u00e9 \u2013 Fiat \u2013 perdeu-se; n\u00e3o como quem desespera, mas como quem \u00e9 encontrado na Luz imensa que \u00e9 Deus. E f\u00e1-lo no sil\u00eancio, sem que ningu\u00e9m saiba; f\u00e1-lo para ser, escondidamente, gr\u00e3o no meio da ciz\u00e2nia; f\u00e1-lo por amor, sem nada pedir em troca.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->O consagrado n\u00e3o chega a viver para si mesmo. Como Aquele a Quem segue, Jesus Cristo, entrega a sua vida livremente. N\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m que lha tira. \u00c9 ele que a d\u00e1. O consagrado disp\u00f5e de si, da sua vida, e gasta-a pelos outros, aceita cansar-se por rostos que nunca ir\u00e1 conhecer. E n\u00e3o h\u00e1 maior liberdade do que a daquele que, ao jeito de Cristo, se faz obla\u00e7\u00e3o amorosa. \u201cH\u00e1 efetivamente uma grande liberdade numa vida obediente, grande fecundidade num cora\u00e7\u00e3o virgem, grande riqueza em nada possuir\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape16\" id=\"roda16\">[16]<\/a>.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->\u201cEis que venho \u00f3 Pai para fazer a vossa vontade\u201d (Heb 10, 7). Talvez nada melhor que este refr\u00e3o defina o in\u00edcio de uma bela melodia, na vida de um consagrado. Deixando-se perscrutar e transformar pelo Crucificado, a pessoa que se consagra torna-se ela mesma, lugar de holocausto. A obedi\u00eancia, esc\u00e2ndalo para o mundo, \u00e9 a obla\u00e7\u00e3o da vontade, o primeiro lugar do holocausto na profiss\u00e3o religiosa. Contudo, precisamente por isso, \u00e9 lugar de uma Eucaristia constante, na qual <i>aquele que \u00e9 separado para Deus<\/i>, pode dizer unido a Cristo: \u201ctomai e comei isto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s; tomai e bebei isto \u00e9 o meu Sangue derramado por v\u00f3s\u201d (Cf. Lc 22, 19-20). Cada ato de obedi\u00eancia \u00e9 uma doa\u00e7\u00e3o, uma imola\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma Eucaristia. Aquilo que algu\u00e9m reserva para si, para conservar uma margem de liberdade, abre uma fenda na harmonia que a doa\u00e7\u00e3o traz em si mesma. <!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->\u201cPara os consagrados, progredir significa rebaixar-se no servi\u00e7o, abaixar-se, fazer-se servo para servir. Esta obedi\u00eancia e docilidade n\u00e3o s\u00e3o uma coisa te\u00f3rica, tamb\u00e9m elas est\u00e3o sob o regime da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo: docilidade e obedi\u00eancia a um fundador, docilidade e obedi\u00eancia a uma regra concreta, docilidade e obedi\u00eancia a um superior, docilidade e obedi\u00eancia \u00e0 Igreja\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape17\" id=\"roda17\">[17]<\/a>. O documento <i>Perfectae Caritatis<\/i>, do Concilio Vaticano II, diz no n.\u00ba 14, que \u201cos religiosos, sob a mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, sujeitam-se na f\u00e9 aos Superiores, vig\u00e1rios de Deus, e por eles s\u00e3o levados a servir todos os seus irm\u00e3os em Cristo, da mesma maneira que o pr\u00f3prio Cristo\u201d.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Ao contr\u00e1rio do que possa parecer, n\u00e3o h\u00e1 liberdade sen\u00e3o na submiss\u00e3o a Deus, na \u201cobedi\u00eancia da f\u00e9\u201d (Rm 1,5) de que S. Paulo fala. A obedi\u00eancia \u00e9 o caminho que o cora\u00e7\u00e3o percorre e que se estende entre as suas divis\u00f5es at\u00e9 chegar ao gesto s\u00f3lido e inteligente da f\u00e9, mediante o qual nos confiamos livremente a um Deus que nos ama, semelhante ao gesto humilde e imaculado da mulher de Nazar\u00e9. Ela, Maria, vivia inteiramente da e na rela\u00e7\u00e3o com Deus; p\u00f4s-se em posi\u00e7\u00e3o de escuta; cada gesto, cada palavra era guardada no Seu Cora\u00e7\u00e3o. No Seu Cora\u00e7\u00e3o submeteu-se de maneira livre \u00e0 palavra recebida, \u00e0 vontade divina na obedi\u00eancia da f\u00e9. Nela o canto tem o nome da f\u00e9 que canta a miseric\u00f3rdia e termina no amor. <!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->O equ\u00edvoco da liberdade est\u00e1 em consider\u00e1-la como uma realidade exterior, dependente das circunst\u00e2ncias. Temos \u2013 erradamente \u2013 a impress\u00e3o de que aquilo que nos limita a liberdade s\u00e3o as circunst\u00e2ncias: as contrariedades, as obriga\u00e7\u00f5es, as limita\u00e7\u00f5es. E, quando nos sentimos um pouco abafados pelas circunst\u00e2ncias em que estamos metidos, atribu\u00edmos as culpas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e \u00e0s pessoas que consideramos serem a causa. Sem d\u00favida que existem horas de escurid\u00e3o e sofrimento, n\u00e3o obstante, quanto ressentimento alimentamos contra tudo o que n\u00e3o corre ao nosso modo ou contra aquilo que n\u00e3o entendemos! A verdadeira liberdade n\u00e3o \u00e9 tanto uma conquista nossa (como se promove na propaganda da autonomia), mas um dom de Deus, um fruto do Esp\u00edrito Santo, que recebemos na medida em que aceitamos viver por amor, na depend\u00eancia do nosso Criador. \u00c9 no cora\u00e7\u00e3o que estamos comprimidos, e essa \u00e9 a origem da nossa falta de liberdade <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape18\" id=\"roda18\">[18]<\/a>. O ato mais elevado e mais fecundo da liberdade humana consiste mais no acolhimento do que no dom\u00ednio. Recordo, a este prop\u00f3sito, a experi\u00eancia de Etty Hillesum, uma judia, que meses antes de morrer nos questiona:<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><i>\u201cAs regi\u00f5es da alma e do esp\u00edrito s\u00e3o t\u00e3o vastas e intermin\u00e1veis que este bocadinho de desconforto f\u00edsico e sofrimento n\u00e3o importam realmente muito, n\u00e3o me sinto despojada da minha liberdade e, na verdade, tamb\u00e9m ningu\u00e9m me pode fazer mal.\u201d<\/i> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape19\" id=\"roda19\">[19]<\/a><!-- [et_pb_line_break_holder] --> <\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><i>\u201c\u2026 fic\u00e1mos marcados pelo sofrimento para a vida inteira. E, ainda assim, a vida, na sua irracional profundidade, \u00e9 t\u00e3o maravilhosamente boa \u2013 tenho de voltar a diz\u00ea-lo\u201d.<\/i> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape20\" id=\"roda20\">[20]<\/a><!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] -->Diz Bento XVI que \u201ca fidelidade no tempo \u00e9 o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo\u201d<a style=\"color:#ad945d\" href=\"#rodape21\" id=\"roda21\">[21]<\/a>, pr\u00f3prio de quem se deixou encontrar pelo Senhor Jesus e \u00e9 isto que traz uma profunda e comovente alegria de quem se sabe por Ele amparado. Seja noite ou dia, seja dor ou contentamento o toque de Deus manifestar-se-\u00e1 sempre doce e terno. No sil\u00eancio de uma c\u00e2ndida entrega, no sorriso despojado e livre, rompe-se a luz de um dia novo e a esperan\u00e7a inteira capaz de seduzir e atrair, pronunciando sobre cada homem:<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><i>\u201cQue o vosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o resista mais; que a cidadela da vossa alma se renda porque o fogo foi posto em toda a parte\u201d<\/i> <!-- [et_pb_line_break_holder] -->(Sta. Catarina de Sena). <\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/p>\n<hr>\n<p><\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda1\" id=\"rodape1\">[1]<\/a> Cf. BOBIN, Christian, <i>Um Deus \u00e0 flor da terra<\/i>, ed. Difel, Linda-a-velha, 1992, p. 54.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda2\" id=\"rodape2\">[2]<\/a> JO\u00c3O DA CRUZ, <i>Obras Completas, Subida do Monte Carmelo<\/i>, 4, 5, Ed. Carmelo, Marco de Canaveses, 2005.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda3\" id=\"rodape3\">[3]<\/a> Citado em RADCLIFFE ,T., <i>Ir \u00e0 Igreja, porqu\u00ea?<\/i>, 209.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda4\" id=\"rodape4\">[4]<\/a> ISABEL DA TRINDADE, <i>Obras Completas<\/i>, Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, 1989, p. 96.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda5\" id=\"rodape5\">[5]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2006\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20060522_vita-consacrata.html\">Cf. PAPA BENTO XVI, <i>Discurso aos superiores e \u00e0s superioras gerais dos institutos de vida consagrada e das sociedades de vida apost\u00f3lica<\/i><\/a> acedido a  12\/10\/17, 12:22.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda6\" id=\"rodape6\">[6]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_constitutions\/documents\/papa-francesco_costituzione-ap_20160629_vultum-dei-quaerere.html\">Cf. PAPA FRANCISCO, <i>Vultum Dei Quaerere<\/i>, n. \u00ba 6<\/a>  acedido a 12\/10\/2017, 12:30.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda7\" id=\"rodape7\">[7]<\/a> KARL RAHNER, <i>Christian Living Formerly and Today<\/i>, Theological Investigations, vol. 7, translated by David Bourke (New York: Herder and Herder, 1971), p. 15.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda8\" id=\"rodape8\">[8]<\/a> BALTHASAR, H. U. V., <i>O cora\u00e7\u00e3o do mundo<\/i>, cit. in GALLAGHER, M., <i>A surpreendente novidade de Cristo<\/i>, A.O., Braga, 2012, 76.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda9\" id=\"rodape9\">[9]<\/a> GOMES, P. V., \u201cDo ros\u00e1rio ora\u00e7\u00e3o cordial\u201d, in <i>O meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o teu ref\u00fagio e o caminho que te conduzir\u00e1 at\u00e9 Deus, Itiner\u00e1rio Tem\u00e1tico do Centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima<\/i>, 7\u00ba Ciclo, Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, 2016, p. 133.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda10\" id=\"rodape10\">[10]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2017\/documents\/papa-francesco_20170513_omelia-pellegrinaggio-fatima.html\">PAPA FRANCISCO, homilia da Santa Missa com o rito da Canoniza\u00e7\u00e3o dos Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto<\/a>  acedido a 27\/11\/2017, 10:05.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda11\" id=\"rodape11\">[11]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_p-vi_exh_19710629_evangelica-testificatio.html\">PAPA PAULO VI, <i>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evagelica Testeficatio<\/i>, 45<\/a> acedido a 27\/11\/2017, 10:15.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda12\" id=\"rodape12\">[12]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/april\/documents\/papa-francesco_20170429_egitto-clero.html\">PAPA FRANCISCO, <i>Encontro de ora\u00e7\u00e3o com o clero, religiosos e seminaristas<\/i><\/a> acedido a 12\/10\/2017, 14:36.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda13\" id=\"rodape13\">[13]<\/a> ARRUPE P., <i>Rezar com o Padre Arrupe<\/i>, Ed. A.O., Braga, 2007, p. 117.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda14\" id=\"rodape14\">[14]<\/a> VAN THUAN, F. X. N., <i>O Caminho da Esperan\u00e7a<\/i>, Paulinas, Prior Velho, 2007, 43.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda15\" id=\"rodape15\">[15]<\/a> FARIA, D., Poesia, Ass\u00edrio e Alvim, Porto, 2012, p. 442.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda16\" id=\"rodape16\">[16]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/april\/documents\/papa-francesco_20150411_raduno-formatori-consacrati.html\">PAPA FRANCISCO, <i>Discurso aos formadores de vida consagrada<\/i><\/a>  acedido a 13\/10\/2017, 22:30.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda17\" id=\"rodape17\">[17]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2015\/documents\/papa-francesco_20150202_omelia-vita-consacrata.html\">PAPA FRANCISCO, <i>Homilia da Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor<\/i><\/a> acedido a 27\/11\/2017, 10:10.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda18\" id=\"rodape18\">[18]<\/a> JACQUES PHILIPPE, <i>A liberdade interior<\/i>, paulus, lisboa, 2014,p. 17.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda19\" id=\"rodape19\">[19]<\/a> HILLESUM, E., <i>Cartas<\/i>, Ass\u00edrio e Alvim, Lisboa, 2009, 143.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda20\" id=\"rodape20\">[20]<\/a> <i>Idem<\/i>, 234.<\/br><\/br><!-- [et_pb_line_break_holder] --><a style=\"color:#ad945d\" href=\"#roda21\" id=\"rodape21\">[21]<\/a> <a style=\"color:#ad945d\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2010\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20100512_vespri-fatima.html\">PAPA BENTO XVI aos sacerdotes, religiosos, seminaristas e di\u00e1cono<\/a> acedido a 14\/10\/2017, 00:14.<!-- [et_pb_line_break_holder] --><\/p09><!-- 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